No Fórum Nacional de Seguros de 2026, houve um tema que dominou as conversas: o impacto real da inteligência artificial na mediação de seguros. E a pergunta que não quer calar é se os corretores de seguros vão desaparecer.
A resposta curta é não. Mas a realidade é mais interessante do que um sim ou não.
Entre o Fórum Nacional de Seguros de 2026 e o novo Regulamento Europeu de IA que entra em vigor em agosto, o setor está a mudar mais depressa do que nunca. E quem trabalha com seguros precisa de perceber o que está para vir.
O que a IA já faz nos seguros
A inteligência artificial já está a automatizar tarefas que antes ocupavam horas a corretores e mediadores. A subscrição de apólices, a verificação de documentos e até parte da gestão de sinistros já são feitas por modelos de IA.
A seguradora Médis, por exemplo, tem a Carmo, uma assistente virtual que trata de chamadas e processa reembolsos automaticamente. E não é a única.
Mas aqui está o detalhe importante: a IA não está a substituir pessoas. Está a automatizar tarefas repetitivas para libertar os profissionais para aquilo que realmente importa. Como explicou Hugo Veloso, manager da NTT Data Portugal, a IA aumenta a eficiência mas não substitui a interação humana.
Quanto da profissão está em risco
Segundo o Índice Económico da Anthropic de 2025, os corretores de seguros têm 41% de exposição à IA. Isto significa que 41% das tarefas de um corretor podem ser feitas ou ajudadas por IA.
O risco de automação total é de 33%. É um número significativo, mas não significa o fim da profissão.
O que acontece na prática é que a IA está a mudar o dia a dia do corretor, não a eliminá-lo. As tarefas de pesquisa de mercado, simulação de preços e preenchimento de formulários estão a ser automatizadas. Mas a relação com o cliente, a análise de riscos complexos e o aconselhamento personalizado continuam a ser terreno humano.
A própria ASF (Autoridade de Supervisão de Seguros e Fundos de Pensões) tem acompanhado esta evolução de perto, especialmente com a chegada do Regulamento Europeu de IA.
O que muda para quem contrata seguros
Se é empresário ou gestor de PME, esta mudança traz vantagens concretas. Os processos mais rápidos significam menos tempo à espera de aprovações e reembolsos.
Já mostrámos aqui como a IA está a transformar os seguros em Portugal e como os reembolsos estão a ficar mais rápidos com IA.
A diferença prática é que o corretor de seguros passa a ter mais tempo para si. Em vez de gastar horas a pedir simulações e a preencher formulários, pode focar se em perceber o seu negócio e encontrar a melhor solução.
Como saber se o seu corretor está a usar IA
Nem todos os mediadores estão no mesmo ponto de maturidade digital. Alguns já usam ferramentas de IA, outros mal têm um CRM a funcionar.
Aqui fica uma checklist rápida para avaliar:
- O seu corretor responde a pedidos de simulação em menos de 24 horas?
- Recebe propostas com cenários personalizados ou são sempre os mesmos pacotes?
- Consegue fazer a gestão de apólices online sem falar com ninguém?
- As renovações são automáticas ou tem de pedir sempre?
- O processo de sinistros é claro e rápido?
Se respondeu não a mais de duas perguntas, talvez esteja na altura de falar com um mediador que já tenha abraçado a transformação digital.
O setor segurador português está numa fase de transição. Quem souber adaptar se vai ganhar eficiência. Quem ignorar as mudanças vai ficar para trás.
Se tiver dúvidas sobre como escolher um mediador de seguros com boas práticas digitais, deixe um comentário ou fale connosco.