No dia 8 de julho de 2026, o Forum Nacional de Seguros juntou em Lisboa alguns dos nomes mais importantes do setor. O tema? IA aplicada aos seguros. E as conclusoes nao foram teoricas. Foram numeros.

A FRANK, insurtech portuguesa, revelou que ja automatiza mais de 30 mil tarefas por mes. A Coverflex contou como falhou na primeira tentativa com IA e aprendeu a fazer melhor. A Zango mostrou que as operacoes avancam mais depressa que a compliance.

Este artigo nao e sobre o que a IA pode vir a fazer. E sobre o que ja esta a fazer. E como isso te afeta, quer sejas cliente ou empresario.

Onde a IA ja esta a funcionar nos seguros

A FRANK apresentou tres agentes de IA a correr em producao: um copiloto de ERP e CRM, um agente documental e um agente de portal. O resultado foi a eliminacao de mais de 70% do tempo manual nos processos alvo.

Isto nao e futuro distante. E o presente de uma empresa que comecou com um piloto entre 5 a 15 agencias e expandiu a partir dos proprios dados. O modelo chama-se Spiral Kaizen e funciona assim: deixam que os numeros indiquem qual o proximo processo a automatizar.

Para quem trabalha com seguros, o impacto e claro. Processos que demoravam dias passam a horas. Documentos que precisavam de revisao manual passam a ser tratados automaticamente. A pergunta que fica: a tua seguradora ja esta a fazer isto?

Sabes como a IA esta a transformar os seguros em geral. Este artigo e sobre a parte concreta, com nomes e numeros.

O erro que a Coverflex assumiu publicamente

A Coverflex partilhou algo raro no setor: uma falha. A primeira tentativa de usar IA no apoio ao cliente correu mal. Porque? Ligaram a base de FAQ diretamente ao chatbot, sem mapear os processos primeiro.

So encontraram resultados quando documentaram todos os fluxos de suporte e construiram arvores de decisao para cada cenario. Hoje usam varios agentes especializados e um super agente que decide se responde ou escala para um humano. A regra e simples: mais de cinco interacoes sem resolucao, vai para uma pessoa real.

A Coverflex admite que o maior desafio continua a ser detetar frustracao do utilizador. Citando a equipa: “A IA e demasiado confiante, e detetar a frustracao continua muito dificil de implementar de forma fiavel.”

Se estiveres a pensar implementar IA na tua empresa, esta historia ensina algo importante: documenta os processos primeiro. Depois automatiza. Nunca ao contrario.

Compliance esta a ficar para tras e isso e um problema

A Zango apresentou uma fotografia real da adocao de IA nas duas linhas de defesa do setor segurador. A conclusao merece atencao: as operacoes avancam mais depressa, com ROI visivel, mas a compliance esta a ficar para tras.

Isto cria um risco sistemico. Com o Regulamento Europeu de IA (EU AI Act) a entrar em vigor ja em agosto de 2026, o setor tem semanas para regularizar a sua posicao. A analise de credito e a avaliacao de solvencia vao ser classificadas como sistemas de alto risco.

As aplicacoes mais seguras em compliance sao pesquisa semântica, transformacao de conteudos e geracao controlada com outputs estruturados. As areas de maior risco sao avaliacoes de materialidade sem contexto e criacao automatizada de controlos regulatorios.

Para quem compra seguros, isto significa mais seguranca. Quando a compliance acompanha a tecnologia, os teus dados estao mais protegidos e as decisoes sao mais justas. O segredo esta na frase que a Zango deixou: compliance IA funciona quando ha contexto humano suficiente.

O preco do teu seguro ja e calculado por IA. A questao e saber se esse calculo esta a ser bem auditado.

O que a Sword Health mostrou sobre seguros de saude

A Sword Health apresentou o Phoenix, especialista de IA que opera 24 horas por dia em monitorizacao proativa de pacientes. Cobre condicoes musculo-esqueleticas, saude da mulher, saude cardio-metabolica e saude mental.

O ponto de partida foi preocupante: os custos de saude quadruplicaram em 25 anos, sem melhoria proporcional no acesso. O Phoenix trabalha lado a lado com clinicos humanos e demonstra que acesso mais amplo e melhores resultados podem andar juntos, desde que a supervisao humana se mantenha.

Para as seguradoras, isto tem implicacoes diretas. Produtos de saude com componentes digitais deixam de ser bonus e passam a ser o padrao. Para quem contrata um seguro de saude, a conversa ja nao e sobre se ha app. E sobre o que a app faz. E se funciona.

Checklist pratica: o que fazer com esta informacao

Vais ouvir muitas seguradoras a falar de IA nos proximos meses. Nem todas estarao a fazer o mesmo. Aqui fica uma checklist para separar o marketing da realidade:

  1. Pergunta que processos estao automatizados. Se a resposta for “estamos a testar”, ainda nao ha producao.
  2. Confirma ha quanto tempo a IA esta em uso. Meses de producao valem mais que anos de planeamento.
  3. Verifica se ha supervisao humana. A Coverflex ensinou que escala para humano e essencial.
  4. Questiona sobre compliance. Com o EU AI Act a chegar, seguradoras sem compliance vao ter problemas.
  5. Testa o suporte ao cliente. IA que nao percebe frustracao nao serve para situacoes serias.

A IA nos seguros veio para ficar. Mas como a Coverflex mostrou, implementar bem e mais importante que implementar depressa.

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